Obesidade e Hipertrofia Muscular

Obesidade é uma questão mundial e, no Brasil, já atinge níveis preocupantes. O Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa, realizada em 2012, que revelou que mais da metade da população brasileira se encontra acima do peso, correspondendo a 51% dos brasileiros acima de 18 anos.

O estudo também revelou que o excesso de peso é maior entre os homens: 52,6% deles estão acima do peso ideal. Entre as mulheres, esse valor é de 44,7%. No sexo feminino, o sobrepeso é maior na faixa etária compreendida entre 45 e 54 anos, correspondendo a 56%. As mulheres por natureza têm maior percentual de gordura e menor massa muscular do que os homens e estas alterações são hormônio - dependentes (estrogênios x androgênios). Os homens, por sua vez, têm maior tendência ao acúmulo de gordura não no tecido subcutâneo e sim no visceral, o que eleva o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, diabetes e dislipidemias, determinando alta mortalidade.

Contribuem para esse avanço da obesidade os hábitos alimentares inadequados, com consumo excessivo de alimentos gordurosos e baixo consumo de frutas e verduras. A falta de tempo ou oportunidade para praticar atividade física, o alto custo de alimentos saudáveis em comparação aos pouco nutritivos e de rápido consumo, entre outros.

O INDICE DE MASSA CORPÓREA (IMC) é utilizado para determinar o grau de obesidade, utilizando-se, para tanto, de uma razão entre peso (em kg) e o quadrado da altura (em metros) de um indivíduo.

Logo: IMC = PESO / ALTURA X ALTURA

Cálculo IMC Situação
Abaixo de 18,5 Abaixo do peso ideal
Entre 18,5 e 24,9 Peso normal
Entre 25,0 e 29,9 Acima de seu peso (sobrepeso)
Entre 30,0 e 34,9 Obesidade grau I
Entre 35,0 e 39,9 Obesidade grau II
40,0 e acima Obesidade grau III


É importante considerar que a obesidade não é somente um problema do ponto de vista estético, e sim uma questão de saúde, comprometendo ainda a qualidade de vida das pessoas e sendo fator de risco para diversas doenças.

HIPERTROFIA MUSCULAR
O risco do uso de anabolizantes

Fazendo-se alusão ao filme “Quero ser Grande”, estrelado pelo ator Tom Hanks na década de 80, em que o menino desejava crescer (tornar-se adulto) e concretiza o seu sonho, atualmente o sonho tem diferente conotação. Ser grande é o desejo de muitos homens, que buscam a hipertrofia muscular através da prática regular de musculação, alimentação com alto teor proteico e, por vezes, o uso de substâncias para promover rápido ganho de massa muscular - os anabolizantes.

Tal uso é feito muitas vezes sem orientação médica adequada e, infelizmente, acarreta danos severos na saúde. Os anabolizantes (ou esteroides androgênicos anabolizantes) derivam, sobretudo, da testosterona, e de fato promovem a desejada hipertrofia muscular, pois agem no crescimento celular, em sítios como o tecido muscular e ósseo. Por isso o uso dos anabolizantes causa satisfação em seus usuários, porém há diversos efeitos indesejáveis que acompanham o ganho de massa muscular, como:

  • alterações hepáticas
  • queda de cabelo (alopécia)
  • acne
  • agressividade
  • elevação da pressão arterial

Pode-se ainda ressaltar que por ser uma testosterona exógena, ou seja, não produzida pelo organismo, diminui assim o estímulo ao testículo, ocasionando até a sua redução e a contagem dos espermatozoides. Mais ainda, a quantidade excessiva de androgênios ocasiona uma maior conversão de testosterona em estrógenos, em um processo que envolve enzimas chamadas aromatases - a aromatização periférica. Logo, com o aumento dos níveis de estrogênio, pode-se verificar o aparecimento de mamas em homens - a ginecomastia.

Anabolizantes não fazem parte apenas do universo masculino. Diversas mulheres também buscam o ganho de massa muscular por intermédio do uso de anabolizantes e podem vir a ter uma série de efeitos adversos, apresentando características masculinas (pêlos em excesso, engrossamento da voz), alterações do ciclo menstrual, aumento do tamanho do clitóris, ganho de apetite e diminuição dos seios.

Os anabolizantes possuem variados efeitos e repercussões clínicas que devem ser conhecidos e valorizados, sendo proibido seu uso sem orientação e acompanhamento médico. Na dúvida, converse com um Endocrinologista. Em alguns casos, menos é mais.